Lúcia McCartney fecha a tríplice instrumental de Cristiano Varisco

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Pulsante, enérgico, vibrante. Acho que estas palavras traduzem o novo disco do artista porto-alegrense Cristiano Varisco, Lúcia McCartney, chegado neste final de julho de 2015. Passando e repassando as 19 faixas, tento deixar a cabeça limpa para absorver as canções, assim como aconteceu com os discos antecessores, Aline de 2013 e Trilhas Sonoras para Filmes Imaginários de 2014.

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Uma a uma vou ouvindo e sentindo a vibração. Retiro o encarte, vou olhando as fotos internas, acompanhando as canções para saber seu respectivo nome e vou curtindo. Posso dizer que ainda não escolhi a que mais gostei. Se é que terá, pois todas têm uma particularidade. Confesso que fui até a obra literária de Rubem Fonseca, que o próprio músico me emprestou, mas não senti que alguma das canções se encaixasse na leitura. Talvez o disco tenha um misto dos dois discos anteriores e que, o próprio artista destaca como sendo pontos extremos de sua vida: Aline, em alusão a um relacionamento e Trilhas Sonoras para Filmes Imaginários, um período de intimismo total e, digamos, quase um luto. Lúcia McCartney é uma espécie de página virada. Gosto destas descrições que o próprio músico traz em algumas conversas. Ouvindo o disco, chego à conclusão de que está faltando esta intimidade artística nas obras produzidas pela maioria dos músicos, pois cada vez mais, as músicas são comerciais, sem essência e dor. Sim, aquela dor que emana quando os acordes certos batem no peito.

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Lúcia McCartney trouxe leveza à trilogia e ao músico. Não leveza sonora, mas leveza de espírito. Porque vamos combinar, o peso das guitarras de Cristiano ecoa alto e longe. Um misto de sons pulsantes e estrondosos de Ennio Morricone em uma estrada empoeirada deixando os pigmentos da terra nas botas que insistem em continuar a caminhada.

Lúcia McCartney é o fim de um ciclo. A finalização de um trabalho de mais de 20 anos que acabou em três CDs, com exatamente 50 músicas. Os números aqui, não dizem nada. O que realmente importa são os momentos de uma vida que traduzem em sonoridade tudo o que os anos tiraram e deram ao artista. E não podemos deixar de agradecer ao mestre Tempo que nos presenteou com a inspiração do músico e que resultou nesta tríplice instrumental e fez com que absorvêssemos cada acorde como se fosse uma vida inteira.

Por: Cláudia Kunst Fotos: Mariana Kircher 

Contatos e aquisição do CD: 51 9549-7079

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